segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Preservar é preciso... Um exemplo a seguir...

Algumas comunidades de pescadores nos Açores estão a criar, por sua iniciativa, áreas de reserva natural, com o objectivo de evitar a pesca e permitir a reposição dos stocks de peixe.

A iniciativa é curiosa porque não nasce, como geralmente acontece, de uma imposição feita pelo Governo através de decreto legislativo regional. São os próprios pescadores que decidem declarar uma determinada área como reserva voluntária, estendendo assim a mais ilhas um conceito iniciado no final da década de noventa pela pequena comunidade piscatória do Corvo.

Para já, o Director Regional do Ambiente (Frederico Cardigos) não revela quais os novos locais em que essa situação se verifica.

Mas Frederico Cardigos acredita que o movimento vai chegar rapidamente a todas as ilhas, sobretudo quando os pescadores começarem a notar as vantagens daquela iniciativa.

“Quando perceberem que, pelo facto de declararem uma área como reserva interdita à pesca, acaba por haver efeitos extraordinariamente positivos e multiplicativos nas áreas à volta”, considera.

Mesmo que esses efeitos surjam a médio e longo prazo, Frederico Cardigos entende que o Governo Regional tem em algumas comunidades piscatórias um forte aliado na batalha de proteger zonas marinhas mais sensíveis, do ponto de vista da sua flora e fauna, das capturas predatórias.

Vantagens para a pesca e turismo
“A criação de reservas, voluntárias ou oficiais, tem vantagens para a economia a dois níveis: primeiro para o turismo subaquático; e a segunda, a longo prazo mas com consequências económicas muito mais vastas, para a própria disponibilidade do stock para a pesca”, sublinhou.

Frederico Cardigos admite mesmo que as novas áreas indicadas para protecção marinha possam vir a ser oficializadas pelo Governo Regional.

Mas, com ou sem o aval da tutela, uma coisa é certa, com a implementação de medidas restritivas nos mares açorianos: o peixe que aí existe reproduz-se e aumenta em quantidade e tamanho, reforçando os rendimentos dos pescadores e potenciando outras actividades geradoras de riqueza e emprego, como é o caso do turismo subaquático.

Exemplo a seguir
Foi precisamente isso que aconteceu há alguns anos, quando os pescadores do Corvo decidiram declarar a zona denominada Caneiro dos Meros de reserva voluntária.

“As consequências foram imediatas: a comunidade de peixe que aí existia multiplicou-se, tendo agora stocks bastante robustos”, conta o director regional.

Ou seja, aqueles peixes que em lota teriam um determinado valor, viram o seu valor multiplicado pela sua utilização para a escafandria.

“Isto não pode ser aplicado a todos os locais, nem a áreas extraordinariamente vastas. Mas é um exemplo a seguir”, frisa o director regional ao Açoriano Oriental.

Frederico Cardigos acentua ainda os efeitos positivos das áreas declaradas reservas voluntárias sobre áreas marinhas maiores, por causa do fenómeno conhecido por derrame.

Isto é, quando os cardumes atingem um grau de robustez e mobilidade tal que se expandem para zonas marinhas limítrofes.

Por exemplo, no caso da Reserva Natural dos Ilhéus das Formigas, a migração dos peixes acontece em direcção ao Mar da Prata, “disponibilizando à pesca stocks bastante mais elevados”, explica.
(Açoriano Oriental) Paulo Faustino

1 comentário:

Anónimo disse...

Não estou a ver os nossos pescadores continentais a adoptar uma atitude semelhante.