terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Mau Tempo
Lembrando o dia 08 de Abril de 2008, uma travessia do canal Pico-Faial que ficou na memória dos poucos que se atreveram no "Cruzeiro...".
Um bom barco nas mãos de um grande Mestre, que sabe o que faz...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
União PE - Mono
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Leituras III ...
Mais um excelente livro de Zeno Hromin. Um extraordinário "manual", que desmistifica "a caça" dos grandes exemplares.
Encontramos reunidos no mesmo livro, um conjunto de capítulos sobre diversas técnicas de "surfcasting" com "amostras", explicadas pelos seus autores, todos eles exímios pescadores desportivos norte-americanos.
Podemos tirar ilações e lições acerca das diferentes abordagens e estratégias da pesca desportiva-lúdica aos grandes exemplares dos pelágicos costeiros, sejam eles os "stripers" (Morone saxatilis), anchovas (Pomatomus saltatrix), e mesmo, com as devidas adaptações e transposições, os robalos "europeus" (Dicentrarchus labrax).
Gostei bastante.
Obrigado Z.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
domingo, 21 de dezembro de 2008
Leituras II ...
Já que estou numa de ... livros, deixo-vos mais uma sugestão que voltou para a minha cabeceira, e que nos pode levar numa aventura sem igual..., é só deixarmos a imaginação navegar.
Trata-se do livro de David DiBenedetto, "On The Run - An Angler's Journey Down the Striper Coast", editado pela William Morrow. Chegou no Verão e foi lido "de uma assentada", agora voltei a mergulhar nas suas páginas...
Não sendo um guia da "arte", é uma aventura.quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Leituras I ...
Foi lido num ápice, pois a linguagem acessível permite-nos compreender até os termos mais "estranhos" e técnicos.
Do melhor que há acerca da pesca desportiva com amostras desde a costa.
Apesar de ser um tipo de pesca com técnicas muito pouco usadas nas nossas costas continentais, assemelha-se bastante ao corrico costeiro "tradicional" que é praticado na ilha do Pico, com a diferença de aqui não existirem praias de areia, e com todas as outras particularidades inerentes às morfologias da costa e fundos marinhos.
É claro que, não temos "stripers", mas as anchovas, "bluefish", estão presentes...
Os equipamentos são para o "forte", de modo a não comprometer as capturas... e a filosofia do "catch & release", o "pescar & libertar", ainda não é uma realidade generalizada por cá...
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Nó PR
Uma outra versão do mesmo Nó PR, legendada em português.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Pesca do Tarpão ou Peixe-Prata com "Mosca"
Atentem na banda sonora: "Personal Jesus", por Johnny Cash.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
sábado, 8 de novembro de 2008
Confesso que... estou a ficar "velho"...
De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60 e 70, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque:
-As nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
-Não tínhamos frascos de medicamento com tampas “à prova de crianças”, fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas e tachos, entre outras coisas....
-Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.
-Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos de segurança, nem “airbags”- viajar à frente era um privilégio.
-Bebíamos água da torneira e não da garrafa e sabia bem.
-Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos "pirolitos" (gasosa com açúcar), mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar "lá fora".
-Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.
-Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pela ladeira abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões.
-Saía-mos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer, o que nem sempre acontecia...
- Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
-Não tínhamos “Play Station”, “X Box”. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, “home cinema”, telemóveis, computadores, DVD, “Chat” na internet.
-Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos à rua, jogávamos ao elástico e à barra e à bola até doer, caíamos das árvores, cortava-mo-nos, e até partíamos ossos, mas sempre sem processos em tribunal. Haviam lutas com punhos, mas sem sermos processados.
-Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
-Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não, íamos a pé para a escola, não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.
-Criávamos jogos com paus e bolas.
-Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do "lado da lei". Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas. Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.
És um deles? Parabéns!
Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos legisladores e governos regularem as nossas vidas, “para nosso bem”, dizem eles.
Para todos os outros que não têm idade suficiente, pensei que gostassem de ler acerca de nós. Isto, meus amigos, é surpreendentemente medonho… e talvez ponha um sorriso nos vossos lábios: A maioria dos estudantes que estão nas universidades hoje nasceram em 1986…chamam-se "jovens".
Nunca ouviram “we are the world” e “uptown girl”, conhecem "Westlife" e não "Billy Joel". Nunca ouviram falar de "Blondie", "Bananarama" ou "Peter Murphy". Para eles sempre houve uma Alemanha e um Vietname.
A SIDA sempre existiu. Os CD’s sempre existiram. O Michael Jackson sempre foi branco.Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo fosse um dia um “deus da dança”. Acreditam que "Missão Impossível" e "Anjos de Charlie" são filmes do ano passado.
Não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco. Nunca ouviram falar do Vasco Granja, e só conhecem o Eng.º Sousa Veloso dos anúncios da Compal...
Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:
1. Entendes o que está escrito acima e sorris;
2. Precisas de dormir mais depois de uma noitada;
3. Estás casado, os teus amigos estão casados ou a casar;
4. Surpreende-te ver crianças tão à vontade com computadores;
5. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis;
6. Lembras-te da Gabriela (da primeira);
7. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos;
SIM. ESTÁS A FICAR VELHO, heheheh.…mas tivemos uma infância do caraças!!! Pois tivemos.
Agradeço ao Sérgio S. (tomei a liberdade de adaptar..., sem alterar...)
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Confesso que...
e procuro não sei se o peixe se o desconhecido
e lanço e recolho a linha e tantas vezes digo
sem o saber o nome proibido.
Eu que de cana em punho escrevo o inesperado
e leio na corrente o poema de Heraclito
ou talvez o segredo irrevelado
que nunca em nenhum livro será escrito.
Eu pescador que tantas vezes faço
a mim mesmo a pergunta de Elsenor
e quais águas que passam sei que passo
sem saber a resposta. Eu pescador.
Ou pecador que junto ao mar me purifico
lançando e recolhendo a linha e olhando alerta
o infinito e o finito e tantas vezes fico
como o último homem na praia deserta.
Eu pescador de cana e de caneta
que busco o peixe o verso o número revelador
e tantas vezes sou o último do planeta
de pé a perguntar. Eu pescador.
Eu pecador que nunca me confesso
senão pescando o que se vê e não se vê
e mais que peixe quero aquele verso
que me responda ao quando ao quem ao quê.
Eu pescador que trago em mim as tábuas
da lua e das marés e o último rumor
de um nome que alguém escreve sobre as águas
e nunca se repete. Eu pescador.
OITAVO POEMA DO PESCADOR - Manuel Alegre
Às minhas Maria Carolina e Arlene.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Peixes do Mar dos Açores - I

imagDOP - Universidade dos Açores (direitos reservados)
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Bicuda - Barracuda - Sphyraena viridensis
Encharéu - Pseudocaranx dentex
Pargo - Pagrus pagrus
Garoupa - Serranus atricauda
imagDOP - Universidade dos Açores (direitos reservados)
segunda-feira, 3 de março de 2008
Pescar, Libertar, Preservar - I
Na base dessa filosofia está uma ética específica, muito particular, tendo como valor fundamental a solidariedade para com os outros pescadores (que também poderão ter o prazer de lutar com os peixes que foram soltos) e para com o próprio peixe.
Há ainda quem afirme que a liberdade do peixe é capaz de reflectir para nós mesmos, pescadores, a necessidade de viver em liberdade.
Para além dos valores de natureza ética, estudos económicos (infelizmente não portugueses) mostram que o peixe desportivo "vivo" vale muito mais do que "morto". Ou seja, a actividade da pesca de lazer e desportiva, encarada, por exemplo, na sua vertente turística é capaz de gerar mais receitas em divisas para um país, ou região, na medida em que movimenta estruturas mais complexas do que a de um simples "entreposto frigorífico", que geralmente retira sem repor e/ou sem tomar os devidos cuidados em relação às reservas dos stocks de peixes capturados.
O “pescar & libertar”, para ser levado à prática como forma de preservação das espécies selvagens, necessita de conhecimento e aprendizagem.
De facto, o respeito pela Natureza, a consciência da preservação ambiental e o “amor” pelos peixes (encarado como um parceiro imprescindível do desporto que é a pesca) misturam-se de forma dinâmica neste processo.
As "regras" descritas abaixo são de carácter genérico, mas podem fazer com que a maior parte das espécies de peixes tenham uma maior probabilidade de sobrevivência - um factor capaz de activar e estimular toda uma nova cadeia económica.
Zona de “Ferragem”
Seria ideal que todos os peixes fossem “ferrados” pelo lábio superior ou inferior, mas infelizmente isto nem sempre acontece.
Quando a pesca é realizada com iscos artificiais pequenos ou iscos vivos, a probabilidade de “ferrar” um peixe mais profundamente na garganta ou nas guelras é muito alta.
Nunca puxe a linha quando o anzol estiver na garganta do peixe.
Cortar a linha e devolver rapidamente o peixe à água aumentará a suas hipóteses de sobrevivência. Quanto mais tempo o peixe ficar fora da água e quanto mais praticar nele as suas "técnicas cirúrgicas", menor a probabilidade de sobrevivência do peixe.
Profundidade
Quando pescar em profundidades superiores a 9 – 10 metros, deve trazer o peixe devagar para o barco. Isto permite que o peixe faça a descompressão (ajustando-se à mudança da pressão da água). Faça pausas quando recolher o peixe e espere que as bolhas de água, resultantes da descompressão dos peixes, aflorem à superfície. Os peixes são adaptáveis como qualquer pessoa. Se içar o peixe demasiado rapidamente, ele morrerá, ou, pelo menos, ficará em muito mau estado.
Temperatura da Àgua
Lutar com um peixe por um longo período de tempo em águas mais quentes aumenta as suas probabilidades de morrer.
Quando a temperatura da água é alta o peixe cansa-se mais rapidamente devido ao aumento e acumular do ácido láctico no seu organismo.
Quando pescar em águas com temperatura elevada, recolha o peixe o mais rapidamente que puder, use uma linha mais grossa do que a usual ou - então, se preferir, e em último caso - não pesque nesse dia.
Carga de Rotura da Linha
Use sempre a linha mais grossa possível, ou com a maior carga de rotura possível, para cada espécie de peixe e tipo de pesca.
Lembre-se que, quanto mais tempo “lutar” com um peixe, tanto mais ácido láctico será produzido; dessa forma, mais exausto fica o peixe e maiores as probabilidades dele morrer, deteriorando-se mais rapidamente a sua carne. Isto é ainda mais verdadeiro para os grandes peixes de água salgada.
Procedimentos e Cuidados
(1) Use anzóis sem farpa/barbela ou "amasse" a farpa/barbela com um alicate. Se usar um camaroeiro, prefira os de rede de algodão. Ele é menos lesivo para as escamas, as guelras, os olhos e o muco do peixe.
(2) Molhe as suas mãos quando for pegar no peixe. Mãos secas ou luvas removem o muco protector. Utilize um alicate de contenção tipo "Boga Grip". Não arraste um peixe na areia, pelas rochas e nem o atire por cima da borda do barco.
(3) Tente não retirar o peixe da água. Seja rápido e delicado. Não aperte o peixe. Não segure o peixe perto das guelras. Alicates de bico longo podem acelerar a desferragem de um anzol “ferrado” com profundidade.
(4) Para reanimar o peixe, segure-o por baixo da barriga e mantenha-o em posição horizontal dentro da água (esta é a altura exacta para tirar as fotografias e as medidas). Se estiver a pescar num rio, ou mesmo no mar, segure o peixe no sentido contrário ao da corrente. Seja paciente e dê ao peixe todo o tempo que ele necessitar para se recuperar e nadar por si mesmo com autonomia.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Ao Corrico no Pico - I - A Ilha Montanha - Abordagem Inicial

- Localização -
A ilha do Pico é a segunda maior ilha do arquipélago atlântico português dos Açores, com uma área aproximada de 447km2, e é uma das três ilhas que constituem o Triângulo, juntamente com as ilhas do Faial e de São Jorge, no Grupo Central, a 38º28'10,315''N, 28º24'05,794''W (Montanha do Pico).

A ilha do Pico está separada da ilha do Faial por um canal com cerca de 6 km de largura e uma profundidade média de 95 m, a Norte do alinhamento Ponta da Espalamaca-Ilhéus da Madalena, enquanto que a Sul daquele alinhamento a profundidade média das águas é de cerca de 140 m. A ilha de São Jorge está localizada a Norte da ilha do Pico, a cerca de 18 km, separadas por um canal com profundidades na ordem dos 1200 m.
A ilha do Pico, possui um comprimento máximo de 46,35 km, entre a Ponta do Arieiro (Madalena) e a Ponta da Ilha (Manhenha). A sua largura máxima, medida perpendicularmente ao máximo comprimento, é de 16,05 km, entre a Ponta Negra (Cabrito) e a Lage do Cavalo (Ponta de São Mateus). O perímetro da ilha é de cerca de 119 km.

O ponto mais elevado da ilha do Pico localiza-se no topo do cone do Piquinho (ou Pico Pequeno), a 2351 m. No sector oriental da ilha as maiores altitudes são atingidas no Caveiro (1076 m) e na região do Topo (1022 m).

Administrativamente, a ilha do Pico compreende as freguesias de Calheta do Nesquim, Lajes do Pico, Piedade, Ribeiras, São João, Ribeirinha, Bandeiras, Candelária, Criação Velha, Madalena, São Caetano, São Mateus, Praínha, Santa Luzia, Santo Amaro, Santo António e São Roque do Pico, distribuídas por três concelhos, Lajes, Madalena e São Roque.
Os aglomerados populacionais da ilha dispõem-se ao longo do litoral, onde, de acordo com o XIII Recenseamento Geral da População (INE, 1992), residiam 15 129 pessoas, distribuídas pelos concelhos de Lajes do Pico (5508), Madalena (5962) e São Roque do Pico (3659).
- Clima -
Em termos genéricos e à semelhança das restantes ilhas do arquipélago, o clima da ilha do Pico é temperado oceânico e caracteriza-se por temperaturas amenas (com pequenas amplitudes térmicas anuais), precipitação regular ao longo de todo o ano, elevada humidade relativa do ar, céu em geral nublado e frequentes ventos fortes. A precipitação média anual varia entre 4547 mm/ano e 3168 mm/ano, para cotas entre 750-800 m, enquanto que junto ao litoral Norte, a cotas inferiores a 100 m, a precipitação média anual oscila entre 1002 mm/ano e 1895 mm/ano. Na costa Sul da Montanha, as precipitações são sensivelmente idênticas, embora não atingindo o valor máximo indicado.
Dois fenómenos climáticos assumem uma importância acrescida na ilha do Pico, atendendo às altitudes atingidas: a queda de neve e a presença de nevoeiros. No primeiro caso, esta é mais significativa entre Janeiro e Março e dá-se sobretudo a cotas superiores aos 1500 m. É essencialmente no troço da Montanha de cotas superiores a 2000 m que a cobertura de neve pode persistir por um período de tempo considerável, variável consoante o rigor do inverno e a exposição do relevo. O nevoeiro, por seu turno, é mais frequente no Verão, nomeadamente no mês de Junho e, no caso da ilha do Pico, resulta de um complexo sistema de circulação do ar, em virtude da influência provocada pelo relevo da Montanha. Para além das zonas mais elevadas da Montanha, é usual a existência de nevoeiros ou cobertura nebulosa na zona oriental da ilha, designadamente nas zonas mais elevadas do Planalto da Achada, sobretudo na parte final do dia.
No que diz respeito à temperatura, esta varia regularmente ao longo de todo o ano, observando-se os valores mais elevados em Julho e Agosto (Temp. média de 22ºC-23ºC) e os mais baixos em Janeiro e Fevereiro (Temp. média de 13ºC-14ºC).
Quanto ao vento e de acordo com dados disponibilizados pelo INMG, relativos ao período 1983-1993 e medidos no Aeródromo do Pico, as velocidades médias mensais variam entre 11,4 km/h (em Julho) e 20,9 km/h (em Janeiro). Os valores mais elevados de velocidades médias, por seu turno, são atingidos com ventos do quadrante SW (28,3 km/h e 27,4 km/h, em Dezembro e Fevereiro, respectivamente) e do quadrante NW (27,3 km/h, em Janeiro).
- Descoberta e Povoamento -
Não se conhece a data exacta da descoberta da ilha do Pico, nem o nome ou nomes dos seus descobridores, mas, no ano de 1439 a existência da ilha do Pico, conjuntamente com a do Faial, seria já do conhecimento da Coroa Portuguesa. De facto, apesar das primeiras viagens de reconhecimento do arquipélago açoriano (com o objectivo de lançar gado nas várias ilhas) terem ocorrido entre 1431 e 1432, a primeira referência das autoridades portuguesas sobre as ilhas dos Açores corresponde a um documento datado de 2 de Julho de 1439, no qual se autoriza a colonização das 7 ilhas já conhecidas, com exclusão das ilhas de Flores e Corvo, não descobertas à data.
Se não é possível datar com precisão a descoberta da ilha do Pico, a mesma dificuldade existe quando se pretende definir com rigor a data inicial do seu povoamento. Terá havido um natural intervalo de tempo entre a descoberta e o povoamento desta ilha, atendendo a que os primeiros povoadores dos Açores se estabeleceram nas ilhas de Santa Maria e São Miguel, descobertas primeiro e localizadas mais perto da metrópole.
Embora a partir de 1470 tenha ocorrido um processo de consolidação do povoamento das ilhas dos grupos oriental e central do arquipélago, o povoamento da ilha do Pico esbarrou com algumas dificuldades em atrair e fixar os habitantes, devido a factores como a difícil abordagem marítima (orla marítima de desenho retalhado e alcantilado), a natureza geológica dos terrenos (designadamente uma predominância de terrenos pedregosos) e os recursos de água disponíveis, ou seja, a inexistência de um ancoradouro naturalmente seguro para o desembarque, a pobreza dos solos existentes na quase totalidade da ilha do Pico e a predominância de formações lávicas, muito permeáveis, que, facilitando a rápida infiltração das águas, se traduzia no reduzido número de ribeiras e riachos existentes.
O povoamento da ilha do Pico inicia-se, então, por volta do ano de 1482, pelo lado Sul, na zona das Ribeiras, a que se seguiu um outro núcleo na zona da Ribeira do Meio. A constituição do primitivo núcleo habitacional na costa Sul da ilha do Pico leva à formação do município das Lajes do Pico, em 1503, data em que as crónicas da época referem a existência da vila das Lajes. O povoamento da zona Norte da ilha desenvolve-se a partir do ano de 1510 e, perante o aumento da população e a sua dispersão pela ilha do Pico, é criada, no ano de 1542, a Vila de São Roque do Pico. A existência de dois concelhos na ilha do Pico prolonga-se até à criação da Vila da Madalena, por alvará de Março de 1723, face à sua crescente importância económica e à estreita relação com a ilha do Faial.
No que diz respeito à origem dos povoadores, a maioria dos cronistas sustenta que os primeiros habitantes terão vindo da ilha do Faial, sendo de considerar, neste contexto, um importante contributo flamengo no povoamento da ilha do Pico.
- Património -
Destacam-se no seu património natural e cultural, a Paisagem Protegida da Cultura da vinha do Pico, declarada Património Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2004, a Reserva Natural da Montanha do Pico, diversos Sítios de Interesse Comunitário (SIC's) e Zonas de Protecção Especial (ZPE's).

A Gruta das Torres desperta grande interesse no âmbito da vulcanologia, e representa um pouco da história geológica da ilha.

Na área turística a oferta é variada.
O Museu do Pico com os seus três núcleos, o Museu da Indústria Baleeira, o Museu do Vinho e o Museo dos Baleeiros, este último sendo o mais visitado de todos os museus da região e considerado um dos melhores do país, será, porventura, o ex-libris da ilha do Pico em termos histórico-museológicos e até etnográficos.

É de referir, ainda, que a actividade de observação de cetáceos, vulgarmente designada por "whalewatching", representa um papel importantíssimo, quer a nível económico, quer ao nível do aproveitamento conjugado de um "recurso natural" (os cetáceos) com os saberes seculares (actividade baleeira), contribuindo para o aprofundar do conhecimento e da preservação dos patrimónios cultural e natural, que tem uma crescente procura por parte dos turistas que visitam a ilha do Pico.

Ainda no âmbito da oferta turística, existem dois hotéis de 3 estrelas, no concelho da Madalena, um aldeamento turístico, igualmente de 3 estrelas, no concelho das Lajes, um Solar de Portugal (a Casa das Barcas, no concelho de São Roque), entre outras casa de campo e de turismo rural, e adegas, para além dos parques de campismo municipais.
Na restauração há a destacar, de entre a oferta variada, o restaurante O Ancoradouro, situado na Areia Larga, freguesia e concelho da Madalena, expoente da gastronomia da ilha do Pico.
A ilha é servida por dois supermercados, onde se podem encontrar os principais bens de necessidade.
Na área da saúde, existem 3 centros de saúde, um em cada concelho.
Depois de toda esta descrição, que, apesar de tudo, fica bastante aquém da realidade, perguntarão "Mas como podemos chegar à ilha do Pico?"
De facto, já não é a "epopeia" de outros tempos. Actualmente, existem ligações aéreas directas de Lisboa para a ilha do Pico através da transportadora aérea nacional TAP, infelizmente ainda apenas uma vez por semana. Alternativamente, e com outra frequência (dependendo da época do ano), pode-se viajar de Lisboa para a vizinha ilha do Faial e, a partir desta, chegar ao Pico atravessando o Canal de barco (as travessias são diárias e com diversas viagens ao longo do dia).
Quer seja directamente de Lisboa para o Pico, ou de Lisboa para o Faial, a viagem de avião tem a duração aproximada de 2 horas e meia. No caso da travessia marítima Faial-Pico há que acrescentar mais meia hora (no Verão esta travessia poderá ser encurtada para 15 minutos, se for realizada por um dos barcos rápidos da empresa que opera as ligações marítimas do Triângulo).
